Abraço Cultural oferece curso de idiomas com professores refugiados

Na primeira sala, um professor africano fala francês. Em uma porta à frente, ouve-se o som de uma música árabe. Em outra, escuta-se um discurso sobre os Direitos Humanos e o Feminismo em diferentes culturas. Na janela ao lado, um workshop sobre a culinária congolesa. Quem passa perto nem consegue imaginar que essa é a realidade do Abraço Cultural, projeto que oferece cursos de idiomas com refugiados e, junto a isso, troca de experiências.

A ONG, que nasceu em julho de 2015, em São Paulo, abriu outra sede no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro no ano seguinte, com propósito de promover não só a valorização pessoal e cultural dos refugiados residentes no Brasil, mas também uma troca de culturas entre eles e a população das comunidades mais próximas.

Essa iniciativa proporciona uma quebra de preconceitos que, aliada a própria metodologia comunicativa do Abraço, estimula a troca cultural e descontinuação de barreiras existentes. “É uma experiência rica para mim, que ajudou muito na minha inclusão cultural na sociedade brasileira”, conta o professor de árabe do Abraço, Adel Bakkour, no vídeo institucional do projeto.

O lugar oferece aulas de árabe, espanhol, inglês e francês, e os atores principais são os refugiados, capacitados pela própria organização, como explica a coordenadora de comunicação do Abraço, Roberta Souza. “A gente convoca todos os candidatos para uma entrevista em português e no idioma que desejam ensinar e depois chamamos alguns para capacitação pedagógica”.

(Foto: Reprodução/Abraço Cultural)

Os professores podem dar aula em dois campos da organização, um localizado na Rua Conde Bonfim, na Tijuca, ou na Travessa Almirante Protógenes Guimarães, no Largo do Machado, Catete. E para isso, contam com um material personalizado pela própria organização, que contém questões linguísticas e referências culturais para que os alunos e professores se reconheçam nos conteúdos.

Além de aulas comuns em sala, o projeto ainda oferece atividades de culinária, música, dança, tradições, entre outras.


“Ser aluno do Abraço cultural é incrível, porque você tem a certeza de que sempre vai aprender algo novo. Meu professor é da Venezuela e esses dias eu aprendi a fazer arepas, que é uma comida típica de lá”, conta Priscila Firmino, estudante de espanhol e voluntária do Abraço Cultural.

(Foto: arquivo pessoal)


O projeto ainda oferece aulas de conversação para aqueles que necessitam praticar a fala. Testes de nivelamento também são disponibilizados, para auxiliar na verificação de qual o módulo mais adequado para cada um. “Juntos a gente tenta fazer a construção de uma sala de aula ideal”, afirma a coordenadora pedagógica, Cacau Vieira, em vídeo do Abraço.


“Além de aprender um novo idioma, você ajuda os refugiados, e conhece a língua de uma forma muito mais imersiva, através de um nativo, que também vive o aprendizado da língua portuguesa aqui. Não é só a língua, são histórias e culturas diferentes”, conta o estudante de francês da unidade do Largo do Machado, Hélio Velez.

(Foto: arquivo pessoal)


O Abraço Cultural é uma organização auto sustentável e, por isso, o valor que os alunos pagam para estudar custeia o salário dos professores e da equipe do projeto. “Atualmente temos 16 professores no Rio, vindos da Síria, Venezuela, RD do Congo, Haiti, Marrocos, Uganda, Benim e Camarões”, conta Roberta.

Os cursos de espanhol, inglês e francês são oferecidos na modalidade regular e divididos em módulos de níveis A1, A2 e B1, podendo expandir ao B2. Eles foram criados com base no Quadro Europeu Comum De Referência (QECR), explicados na tabela abaixo:

Após paralização, os cursos regulares voltaram de forma on-line em 30 de março. Mais informações sobre os cursos podem ser encontradas no site do Abraço Cultural. Vale ressaltar que a sede do Abraço Cultural no Rio de Janeiro está localizada na Rua Conde de Bonfim, 488, 3º andar, Tijuca (Perto do Metrô Saens Peña).

Veja o vídeo institucional e conheça mais sobre o projeto.

Por Caroline Alves, Gabrielle Laranjeira e Thatiana Cordeiro (Oficina Multimídia em Jornalismo)

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