Xote da solidariedade: forró e empatia em tempos de pandemia

Grupo Forrozim Solidário distribui alimentos para moradores de rua na Tijuca durante a pandemia de coronavírus

Em meio ao duro combate ao novo coronavírus e de frente a uma economia fora dos trilhos, a solidariedade se tornou a principal aliada a milhares de pessoas que se viram de mãos atadas diante do atual cenário do país. Mas, ainda há aqueles que sempre passaram despercebidos pelos olhos do governo, que moram nas ruas e por isso não podem ficar em casa em tempos de pandemia. As pessoas em situação de rua foram uma das classes mais afetadas pelo coronavírus, já que estão expostos, sem os cuidados necessários e sem qualquer tipo de suporte ou renda para alimentação. E foi olhando para essas pessoas que o grupo Forrozim Solidário decidiu não parar diante desse cenário delicado.

O projeto, que existe desde novembro de 2015, começou com um grupo de amigos, amantes de forró, que se reuniam toda semana pra dançar. A partir da comunhão e da troca de mensagens positivas uns com os outros, surgiu o desejo de “fazer algo a mais”, como conta a professora Meyli Meirelles, porta-voz do grupo.

Mel, como é chamada, conta que o grupo já atendeu asilos, orfanatos, abrigos e ainda realizaram outras ações além da distribuição de alimentos para moradores de rua. Sem qualquer apoio financeiro, o grupo realiza eventos solidários de forró, incluindo até músicos voluntários, com o objetivo de arrecadar alimentos para as doações. Esses eventos tomaram uma proporção inesperada. “O que era um evento de três horas, passou a ser um forró até o dia seguinte”, e completa “minha sala era tomada de roupas para doação e alimentos”. Com o passar do tempo, o projeto na Grande Tijuca já havia começado a abranger outros bairros como Méier e Recreio. “As pessoas começaram a chegar junto”, diz Mel.

Mel (segunda da esquerda para a direita) junto a outros voluntários do projeto Forrozim Solidário durante ação em um asilo na Tijuca (Foto: Arquivo pessoal)

O grupo cresceu e intensificou os trabalhos. Durante a pandemia, Mel conta que, apesar do medo de encarar as ruas, o grupo não parou. “A gente se preocupa realmente, não conseguimos ficar em casa de braços cruzados, o coração falou mais forte e fomos”, conta ela. Tomando os cuidados e as recomendações necessárias, os voluntários, em grupos menores, com luvas, máscaras e álcool em gel, vão às ruas e distribuem comida quentinha e um pouco de amor. Ela diz que as ações passaram a acontecer com uma frequência maior justamente por causa da pandemia, “Quem tem fome tem pressa”, completa ela, repetindo uma das frases proferidas por Betinho, fundador da Ação da Cidadania.

Voluntários do Forrozim solidário durante ação de distribuição de alimentos aos moradores de rua
(Foto: Arquivo pessoal)

Apesar de ser um período complicado, Mel conta que, durante a quarentena, as pessoas estão mais solidárias. ”Na correria do dia a dia, muitas pessoas se tornam invisíveis, essas situações passam despercebidas pra muita gente. Mas, estando em casa, muita gente começou a enxergar essas pessoas que sempre estiveram ali, mas que antes eram invisíveis”. Ela também revela que muita gente tem feito campanha nas redes sociais pra ajudar e que muitas pessoas tem oferecido mão-de-obra voluntária.

Ser solidário incentiva outras pessoas a serem também, e é essa corrente do bem que o Forrozim Solidário iniciou e que vem crescendo cada vez mais, não só na Tijuca, como em outros bairros que o projeto tem se expandido. Para o grupo, do forró nasceu o desejo de fazer a diferença e espalhar um pouco de amor.

Por Ana Clara Galdino, Anna Clara Magalhães e Júlia Reis (Oficina Multimídia em Jornalismo)

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