JotaUva promove palestra virtual com o jornalista Cahê Mota

O JotaUva, canal de notícias do curso de Jornalismo da Universidade Veiga de Almeida, promoveu uma palestra virtual com o jornalista e setorista do Flamengo Cahê Mota, na última quarta-feira (20/5). Com mais de 13 de anos de experiência na profissão, Cahê falou sobre as mudanças na rotina de trabalho por causa da pandemia, o período em que cobriu a Chapecoense após o acidente e momentos marcantes da carreira.

A rotina de Cahê, assim como a de muitos outros brasileiros, precisou mudar em decorrência do novo coronavírus, mas não tanto como se imagina. Como jornalista, a principal mudança é a impossibilidade de estar presencialmente nos eventos, que, em sua maioria, foram cancelados por causa da pandemia. No entanto, no que se resume a criação de conteúdo pouca coisa mudou, devido ao fato de estar habituado ao online. “Antes, eu trabalhava um dia cobrindo uma partida e dois cobrindo o centro de treinamento e o resto se dividia entre redação e home-office. Então a mudança não chegou a ser um choque”.

Com a pandemia, o número de pessoas que passaram a ficar mais tempo em casa aumentou e, com isso, a necessidade de se usar a tecnologia para resolver certas dificuldades ocasionadas pelo distanciamento social também. “Como não podemos realizar entrevistas pessoalmente, com o tempo passamos a identificar ferramentas tecnológicas que poderiam nos auxiliar”, disse. Entre elas, o Zoom e o Skype são as principais no que se refere à gravação de entrevistas.

Cahê foi designado para cobrir a Chapecoense em 2017, ano que sucedeu a tragédia vivida pelo clube.  No dia 29 de novembro de 2016, o avião, que levava a comissão técnica do time catarinense, jogadores e jornalistas, caiu na região próxima do Aeroporto José Maria Córdova, em Rionegro, perto de Medellín. Cahê, na época, cobria o Vasco e a data do acidente era seu último dia de trabalho no ano.

Ele conta que por ter o costume de dormir tarde estava acordado quando um amigo mandou uma mensagem dizendo que o avião da Chapecoense havia sumido do radar. Cahê mandou mensagem para os jogadores Bruno Rangel e Arthur Maia (vítimas fatais do acidente) que estavam relacionados para a partida, mas não obteve nenhuma reposta. “Enviei uma mensagem para ambos, que eram atletas com quem eu tinha contato, mas a mensagem nem chegou ao celular deles. Não demorou muito e veio a confirmação da queda”, disse.

Passado o período do acidente, Cahê iniciou o trabalho de cobrir a equipe durante a sua reconstrução e durante todo o tempo em que esteve lá, ele diz que sua maior preocupação era não deixar que o lado emocional da cobertura interferisse na questão informativa. “Eu tenho esse senso crítico do jornalista muito apurado presente nas minhas convicções. Eu não podia definir lados, nem dizer que a Chapecoense era vítima ou culpada pela tragédia. Foi uma linha muito tênue que tentei administrar ao longo do ano”, revela.

Outro momento marcante para a carreira de Cahê foi a cobertura do Flamengo em 2019, ano histórico para o clube que conquistou a Libertadores e o Campeonato Brasileiro. Cahê conta que está no jornalismo para contar histórias e, ao informar, você está fazendo isso. “O ano de 2019 para o Flamengo ficou marcado e quando as pessoas forem procurar notícias sobre esse momento que o clube viveu, elas vão encontrar várias matérias escritas por mim”, disse.

Por trabalhar em um veículo grande como o Grupo Globo e estar há anos na profissão, Cahê é bastante procurado por estudantes de jornalismo que buscam por dicas e oportunidades. Como a demanda de mensagens que recebe é grande e mesmo conseguindo responder a todos, o jornalista decidiu criar um grupo no Telegram para aprofundar assuntos que são de interesse dos alunos que o procuram. “No grupo tento passar as minhas experiências e cabe a cada um absorver da melhor maneira possível”, conta. Cahê gosta de dizer que não ensina nada a ninguém porque o jornalismo diferente de outras profissões como a medicina, não basta só aprender a técnica e utilizá-la. Cada um tem o seu método de trabalho que gosta de seguir.

Por já ter várias realizações dentro da profissão, Cahê foi perguntado, no final da palestra, se ainda há algo que gostaria de fazer na carreira Ele fala que, após a Copa do Mundo de 2018, começou a se perguntar como iria continuar se motivando, pois já tinha cobrido todos os eventos que eram sonhos pessoais dele. “Com o fim da Copa do Mundo no Brasil essa dúvida começou a aparecer, mas logo na sequência teve o ano histórico do Flamengo que já comentei. Então percebi que não importa o lugar que você está, e sim, estar sempre pronto para as oportunidades que podem surgir à qualquer momento”, finaliza.

Por Breno Silva (Oficina Multimídia em Jornalismo)

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