A adoção de novos hobbies em meio à quarentena

Tijucanos alteram estilo de vida e realizam atividades caseiras para combater as consequências negativas do isolamento social aplicado pela pandemia causada pelo COVID-19

O Brasil está começando o terceiro mês de quarentena devido ao novo coronavírus. Sem data para acabar, o isolamento social continua trazendo consequências para muitas pessoas que são obrigadas a ficar em casa. Muitas empresas adotaram o home office, assim como escolas e universidades particulares, resumindo a rotina de um grande número de muitos brasileiros à sala-quarto-cozinha. Como atividades na rua estão proibidas, muitas pessoas adotaram passatempos que podem ser feitos do conforto do lar. Atividades simples que, mesmo não parecendo, podem ajudar muito no alívio do estresse e ansiedade nesses tempos tão difíceis.

A funcionária pública Mariana Santos, de 25 anos, resolveu aprimorar um hobbie que já tinha: cozinhar. Antes da quarentena, devido à rotina corrida, Mariana não podia experimentar coisas novas. “Não tinha tempo, então acabava cozinhando as mesmas coisas”, lembra. Agora, com o isolamento social, ela consegue fazer pratos além do básico até quatro vezes por semana. Mesmo com o fim do home office, na segunda semana de maio, Mariana consegue espremer seu momento na cozinha na rotina. “Até aprendi a fazer pão de queijo! E consegui, finalmente, domínio do arroz. Sempre tive muita dificuldade, e agora já sei fazer diferentes tipos de arroz”, conta, orgulhosa. Para ela, cozinhar é uma atividade relaxante, que tira o peso negativo do momento atual do país.

Assim como Mariana, Thayane Soares também inovou no menu. Ela adotou uma alimentação mais saudável para acompanhar a prática de Yoga, seu hobbie principal. A arquiteta de 24 anos já fazia Yoga, mas adotou na quarentena por sentir muitas dores. “Eu fico muito tempo sentada trabalhando em casa. Juntando isso ao nervosismo, tenho dores na nuca frequentemente”, explica. Para ela, a Yoga é algo que gosta, que a deixa tranquila, logo é uma excelente atividade para fazer após um longo dia de home office. “Gosto de trabalhar sob pressão, mas tem momentos que é demais”, lamenta. Antes da quarentena, Thayane não conseguia fazer porque perdia muito tempo no transporte da casa para o trabalho. Agora, com mais tempo livre, faz o exercício seguindo instruções de vídeos no YouTube. 

Thayane Soares utiliza vídeos do canal “Pri Leite Yoga” para praticar a modalidade

Depois de alguns dias em casa, as pessoas começaram a ressignificar a maneira que vivem. O psicólogo Eduardo Mendes recomenda adotar atividades prazerosas, que podem ajudar em momentos de estresse. “O hobbie nos dá um sentimento de que a vida faz sentido mesmo não sendo produtivo. Ter um passatempo é muito importante, porque conseguimos sentir que a vida é muito além do trabalho”, explica.

Não é necessário que seja uma atividade física ou que exija muito do corpo. Apenas algo prazeroso já é suficiente. É o que aconteceu com Danilo Souza. O estudante de 23 anos, assim como Thayane, também perdia muito tempo no transporte para o trabalho. Saía de casa muito cedo e chegava muito tarde, não tendo vontade de fazer algo para relaxar. Nessa quarentena, Danilo precisou se adaptar à nova rotina dentro de casa, e se surpreendeu com tantas coisas que já fez. Foram inúmeros cursos online, começou a mexer no PhotoShop, e, o mais marcante, o hábito da leitura.

“Não tinha hábito de ler livros. Tirei um tempinho para ler, e gostei. Já adotei a atividade com frequência”, conta. Danilo descobriu uma paixão por contos de terror, e já comprou vários livros. Entre as atividades de casa, o trabalho e os vários hobbies, o jovem acha um tempo para fazer pelo menos um por dia. “Não consigo fazer tudo sempre, mas vou rezando entre as atividades. Com o home office desde a quarentena, tem dias que estou mais disposto e focado para leitura”, explica.

Livros da coleção pessoal de Danilo (Foto: Arquivo Pessoal)

E não é apenas quem trabalha e estuda que teve que se adaptar ao tempo livre extra que recebeu com a quarentena. Maurinéa Fritz, de 54 anos, é aposentada e adotou um novo hobbie para preencher seu dia. Ela sempre gostou muito de escrever, principalmente escrita desenhada, então começou a praticar o hand lettering, depois de ver muita gente fazendo na internet. O hobbie foi adotado, oficialmente, na terceira semana de quarentena, pois Maurinéa começou a ser consumida pelo tédio. “Agora somos obrigados a ficar em casa o tempo todo. Antes eu saía, passeava na rua. Na quarentena, ficando em casa o tempo todo, vi a necessidade de fazer alguma coisa. E nada melhor do que juntar o útil ao agradável”, explica. Para ela, a atividade é relaxante, diminuindo um pouco da ansiedade que sentia. Agora faz cursos online grátis, sempre aprimorando a técnica, e já tem um canto separado com canetas e lápis de cor em casa.

Perfil no Instagram do ateliê de Maurinéa onde são postadas as artes (Foto: Reprodução Instagram)

O isolamento social, de acordo com o psicólogo Eduardo Mendes, pode ajudar a atiçar o desenvolvimento de alguns transtornos mentais, como depressão e ansiedade. Como se está acostumado a ficar rodeado de pessoas, quando se é obrigado ao isolamento, essas questões podem aparecer. Em momentos de fragilidade, procurar ajuda em pessoas próximas é uma alternativa. “A escuta empática é a melhor coisa. Mostrar-se presente para quem precisa de ajuda nesse momento é crucial. Como também respeitar os sentimentos dos outros”, sugere. Eduardo indica a procura por profissionais de Psicologia, pois estão preparados para situações como essa. No entanto, lembra: sempre de forma virtual, enquanto estamos em quarentena.

Por Caio Almeida e Júlia Ramos (Oficina Multimídia em Jornalismo)

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