Lava, seca e dobra: a rotina doméstica com os filhos durante a quarentena

Durante esta pandemia com o isolamento social, ter os filhos em casa 100% do tempo acaba sendo bastante complicado para a maioria dos pais. Conciliar a vida do trabalho em home office a com a doméstica pode ser uma tarefa intensa. Uma alternativa que muitos pais e mães estão implementando é a divisão nas tarefas diárias com os filhos e filhas.

Uma pesquisa realizada pelo Mintel Group, do Reino Unido, mostrou que cerca de 76% das crianças não realizam tarefas domésticas. Mas falta de colaboração é apenas europeia; nos Estados Unidos, o mesmo estudo foi realizado, mostrando que 72% também não auxiliam em casa. A estimativa é que, a cada quatro crianças, apenas uma seja responsável por algum tipo de dever e essa diminuição drástica pode estar relacionada a uma série de fatores, como a quantidade de cursinhos e atividades extracurriculares, a desvalorização do trabalho doméstico e até mesmo a presença de um pai ou tutor que as realize por conta própria.

Ainda assim, é fundamental entender que os pequenos precisam ter essa participação e que essa atividade vai muito além do que apenas limpar ou auxiliar, principalmente durante tempos tão difíceis quanto esse que estamos enfrentando nos últimos meses. Mas como será essa prática nas casas de mães e pais na Tijuca e arredores?

Joana Silveira, de 38 anos, é a mãe do Michel, de 12 anos. Eles moram em Vila Isabel e Joana já vêm dividindo algumas tarefas com o filho antes e durante o isolamento. “Precisamos entender, claro, que os filhos tem as suas rotinas e obrigações diárias de escola e outras coisas, mas saber o que ele precisa ajudar e fazer dentro de casa também é importante para ele se tornar um adulto responsável”, conta Joana. Nesse contexto em que todos estamos vivendo, a mãe de Michael conta que tenta ao máximo não sobrecarregá-lo e entende que os estudos, agora online, vêm em primeiro lugar.

Esse é um comportamento que é de extrema importância. É isso que afirma o psicólogo Marcus Góes. Ele é pai da Alice, de 8 anos, e acredita que ensinar os filhos comportamentos diários domésticos faz parte de uma obrigação como pais para construírem filhos mais responsáveis e organizados. “É claro que a gente não deve fazer que nem os nossos pais”, destaca o psicólogo e completa: “muitos de nós ou até mesmos nossos avós deixaram de estudar para cuidar de tarefas domésticas, principalmente mulheres. Devemos entender o equilíbrio e a prioridade de uma criança e um jovem de terem a educação como antes de tudo e as tarefas domésticas como um comportamento a ser trabalhado ao longo do tempo, sem sobrecargas, sem pressão ou brigas”.

Ensinar os filhos a como proceder diante às atividades domésticas pode ter muitos benefícios. Uma criança que colabora em casa entende o quão cansativo é organizar e cuidar de tudo para que o ambiente fique limpo, ela valoriza o trabalho que teve e sabe o esforço gasto para ter tudo em ordem. Com isso, a chance de que ela desarrume, sabendo que terá que arrumar de novo, é pequena.

Além disso, ao incentivar o seu filho a auxiliar em casa, o estimula a ter noções de limpeza, organização, cozinha e planejamento financeiro. Isso será muito bem-vindo mais a frente, quando ele ou ela precisar cuidar do espaço em que vive. Ao distribuir tarefas, os pais os ajudam a trabalhar em equipe, ensinam como um trabalho colaborativo pode ser enriquecedor e criam um sentimento de pertencimento ao grupo familiar.


As tarefas de acordo com a idade: saiba o que pode ser feito pela sua criança

  • Dois e três anos: Arrumar os brinquedos, alimentar os animais de estimação e levar a roupa suja para o cesto.
  • Quatro e cinco anos: Ajudar a fazer a cama, colocar a mesa, limpar o pó e ajudar a arrumar as compras de supermercado.
  • Seis a oito anos: Ajudar a estender a roupa lavada, usar vassouras e aspiradores, e participar na preparação das refeições.
  • Nove a doze anos: Limpar o banheiro, levar o lixo para fora, ajudar a lavar o carro, auxiliar na limpeza e manutenção tanto da parte externa quanto da externa.

Por Maria Gabrielle Gama (Oficina Multimídia em Jornalismo)

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