Entrevista: Alípia Ramos e a adaptação do ensino presencial para o virtual

Alípia durante o isolamento social: “Estou bem, cabeça tranquila, sem nenhum problema” (Foto: arquivo pessoal)

O fechamento das instituições de ensino, por consequência da pandemia da Covid-19, fez com que o metodologia dos educadores de todo o mundo mudasse para um cenário que muitos não estão acostumados: o ambiente virtual. A transição da sala de aula para as vídeo conferências foi uma saída para que o aprendizado não ficasse parado, porém nem todos possuem o hábito de ministrar disciplinas pela internet. É o caso da professora de Comunicação Social e Turismo da Universidade Veiga de Almeida, Alípia Ramos, de 63 anos. Por entrevista, a professora expõe como está a adaptação à essa rotina, as dificuldades e opiniões sobre o ensino na quarentena.

Esquina Grande Tijuca: Como foi a transição de dar aula pessoalmente para o ambiente virtual?

Alípia Ramos: No começo foi um pouco complicado. Nós (professores) não estávamos preparados para usar todas as ferramentas para dar aula online. Mas a partir da terceira aula já normalizou e caminhou tudo bem.

EGT: Como está sendo dar aulas em casa?

Alípia Ramos: Muito trabalho! Estamos trabalhando 10 vezes mais. Não temos tempo para nada. Eu costumo dizer que nessa pandemia eu não sei o que é tédio. Nosso tempo é totalmente ocupado, a demanda é grande porque há alunos que têm bastante dúvidas e a gente não pode deixá-los sem o retorno. E temos vários meios para acompanhar: redes sociais, e-mail e a plataforma da universidade. Então tem muito mais trabalho.

EGT: O que mais achou de diferente?

Alípia Ramos: A ausência dos alunos. Isso é até triste. A gente tá falando sem vê-los fisicamente. Mesmo com as conferências, não é a mesma coisa, não tem o calor humano.

EGT: Qual a diferença que sentiu entre ensinar no EAD e ensinar virtualmente em todas as matérias?

Alípia Ramos: O EAD tem uma metodologia, as disciplinas que foram virtualizadas têm outra. Mas de forma geral, a diferença é não ter contato físico. A vantagem é que nós temos mais recursos para proporcionar aos alunos. Mas é algo bem mais frio, não há o calor humano.

Alípia em sala de aula (Foto: UVA em Foco)

EGT: Em sua opinião, acha que os alunos se adaptaram melhor que os professores?

Alípia Ramos: Não vejo desse jeito. Eu acredito que foi uma adaptação dos dois lados, foi uma troca. Alguns alunos já tinham mais habilidade porque faziam trabalhos com essas ferramentas, mas tem muitos alunos ainda no fim do semestre que estão com muitos problemas, não se adaptaram. A gente imagina que todos têm celular e notebook, mas não é assim. Nem todos têm internet suficiente para acompanhar as aulas. Há algumas dificuldades dos alunos, mas nós estamos dando apoio para eles. Tiramos as dúvidas pelo WhatsApp, pelo e-mail. Então não estamos deixando os alunos sozinhos.

EGT: E como vai a vida em isolamento social? Costuma sair somente quando necessário?

Alípia Ramos: Eu estou em casa desde o dia 14 de março. O único lugar que eu vou é até o elevador para pegar algo que o porteiro encaminha. Não saio de casa, são só essas 4 paredes, totalmente isolada. Nem sei mais como é a rua, acredito que quando eu sair vai ser estranho. Eu não tenho necessidade de sair porque as compras do mercado chegam por entrega e as contas eu pago por aplicativo. Necessidade seria dar aula, ir ao cinema, só que isso acabou. Mas estou bem, cabeça tranquila, sem nenhum problema.

EGT: Está mais ocupada em casa do que estaria na rua?

Alípia Ramos: Sim, porque eu tenho as tarefas profissionais e domésticas. Com a pandemia, não posso chamar ninguém para ajudar em casa por causa dos riscos. Então eu faço tudo sozinha. Mas estou conseguindo dar conta tranquilamente.

EGT: E qual a lição que fica ao ver o mundo fragilizado e a mudança na rotina de todos?

Alípia Ramos: Fomos pegos de surpresa. O aprendizado que fica é que nada vai ser igual e daqui para frente todos precisamos ter um plano B. Nós vamos voltar a fazer as mesmas atividades, só que de forma diferente, lógico. Vamos voltar a trabalhar, a sair, cada um com as suas precauções, porque essa pandemia não deve acabar tão cedo. É isso que estou tirando de lição. Vou continuar a mesma pessoa que eu sou, com os mesmos objetivos, os meus valores, respeitando todo mundo e fazendo o possível para que o próximo seja tão feliz quanto eu.

Por Alex Fravoline e Giovanni De Biase (Oficina Multimídia em Jornalismo)

Um comentário

  1. Eu tive as mais variadas dificuldades para estudar online, e o pior é estudar online sem ter desconto, sem saber se vai conseguir dinheiro pra pagar a faculdade. Eu não tô tranquilo pra estudar.

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