Cultura é um dos setores mais impactados pela pandemia de COVID-19

Instituições culturais localizadas na Tijuca implantam estratégias digitais para se reinventar durante a crise

A restrição de mobilidade social, medida necessária para conter o número de casos da pandemia de COVID-19, está impondo desafios à diversas áreas da sociedade. Com o setor cultural não seria diferente. Diante do cenário de cancelamentos de eventos artísticos, interrupções de produções audiovisuais e adiamentos de estreias, a alternativa é a readaptação.

Em meio a esta nova realidade, as mídias sociais têm se apresentado como aliadas dos profissionais que compõem o setor. Exemplo disso é a forma como estão acontecendo as atividades do Centro Coreográfico do Rio de Janeiro, que está com programações virtuais, como indica o diretor artístico da instituição, Diego Dantas. “Os formatos de lives estão sendo bastante usados. Optamos por trabalhar a partir de projetos para seguir fomentando ações de reflexão, fruição, memória e difusão da dança, contemplando a diversidade das expressões em dança negra, contemporânea, ballet, dança educação, dentre outras. Esses projetos incluem videodanças, registros de pesquisas e espetáculos realizados no Centro Coreográfico, além de painéis de debates”, explica. 

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CENTRO COREOGRÁFICO EM CASA 8 Toda força e autonomia das expressões populares pulsando nos espetáculos “Se for com você, eu danço!” da cia residente Dança Charme & Cia, registrado na Arena Dicró, e dos parceiros de longa data da Companhia Folclórica do Rio-UFRJ em espetáculo comemorativo dos 30 anos de atividades encenado no Teatro Angel Vianna. SE FOR COM VOCÊ, EU DANÇO! O espetáculo explora o tema “DANÇAR COM VOCÊ” em suas mais diversas possibilidades e faz uma viagem misturando Performance, Danças Urbanas e um repertório que tem até MPB de Tulipa Ruiz e Vanessa da Mata, tem até TIM MAIA para dialogar com a Dança Charme. Cria e apresenta um novo TERRITÓRIO de um Charme que se dança, que sente, que ouve e convida você para dançar. Todos os dançarinos de Charme da Cia. são da Periferia Carioca (Madureira, Zona Oeste e Baixada Fluminense). links: Parte 1: https://www.youtube.com/watch?v=_wMPoXqK7d0 Parte 3: https://www.youtube.com/watch?v=FV3e5Lh-WY0&t=210s Parte 2: https://youtu.be/RziObgfVmDQ Companhia Folclórica do Rio-UFRJ 30 anos – O Espetáculo Em 2017 a Companhia comemorou os seus trinta anos de existência, e enfeitamos nossos palcos e corações com os quadros que mais nos emocionaram ao longo dessa jornada. Homenagens, saudades e desejos em 100 minutos de pura emoção e arte popular brasileira recriada dentro de uma Universidade  Pública. Pelos Mares da Vida, Brasileirices, Riojaneirices e Tamborzada foram reencenados nesta festa de 30 anos de luta e prazer. Danças do Pará, Danças Gaúchas, Dança de São Gonçalo, Pastoris, Cirandas, Choros, Sambas, Cantigas de Villa-Lobos e Luiz Gonzaga tecem a criação desse espetáculo. Sob a direção musical de Luciano Camara e Maestro Leonardo Bruno e direção artística de Eleonora Gabriel. Viva a cultura popular brasileira! LINKS: https://youtu.be/0fBb0l1UrvU #centrocoreograficoemcasa #ccoemrede #artistas #ccoreograficorj #dança #cuidadodesi #coletividade #culturamaisdiversidade #cultura_rio #riocontraocorona

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Replanejar datas de eventos também foi uma das medidas que o Centro Coreográfico do Rio de Janeiro precisou tomar. “Nossa programação de 2020 estava toda fechada com projetos locais, nacionais e internacionais”, afirma Dantas. A instituição teve que adiar temporadas de vários espetáculos de dança como o Rio Dance Lab, Cosmogonia Africana do grupo Tambor de Cumba e o Congresso de Forró. Também foi necessário cancelar visitas que aconteceriam no final de abril, como, a da artista europeia Bojana Kunst. Os profissionais pensam em produzir alguns desses projetos de maneira virtualizada, como o Sonoros Festival de Sapateado e Momentos Rio.

Quem também precisou reorganizar a agenda de eventos anual foram os profissionais da Escola de Dança Jaime Aroxa. “Ia ser um semestre muito atribulado, estávamos trabalhando e ensaiando muito. Grandes eventos de Zouk foram adiados para o ano que vem, além de um grande baile que aconteceria em abril também ter sido cancelado”, comenta a professora de dança de salão da escola, Iara Dias. A profissional também adotou à virtualização de suas atividades, transmitindo aulas online por meio do aplicativo Zoom, além de lives diárias de ritmos variados, em redes sociais. Ela conta que não encontrou dificuldades com o novo formato, porém precisou lidar com mudanças em sua rotina. “Eu já utilizava muito o Instagram, então não senti estranhamento. Mas tudo mudou depois da quarentena, só estou dando aulas dois dias na semana”, ressalta. 

As alternativas adotadas por estas instituições locais se refletem no setor cultural como um todo. Os adiamentos ou cancelamentos tem sido inevitáveis. Enquanto no ambiente online tem sido perceptível o crescente número de adeptos às lives. A grande quantidade de acessos é compreensível, já que, neste contexto de pandemia, assistir aos shows é uma das únicas formas de consumir conteúdos artísticos em tempo real, o que tem servido como escapatória e distração para muitas pessoas durante este momento conturbado. “O contato com as artes, a dança, o belo entendido de maneira ampla e plural ressignifica a nossa existência. O que seria de mim se não fosse a liberdade e o privilégio que tenho de mexer meu corpo de forma consciente e autônoma na minha casa, ouvir música, ver filmes, rir, me emocionar, liberar o que o confinamento contém”, indaga Diego. 

Os efeitos benéficos de ter acesso à cultura também são notados por Iara. Segundo a professora de dança é possível ter alívio da confusão mental e bem-estar psicológico e físico. No entanto, apesar das vantagens proporcionadas pelo setor cultural, nem sempre esta classe de trabalhadores é devidamente reconhecida. No Brasil, com os cortes de investimento devido à crise econômica, o setor já enfrentava desafios. Agora, o cenário é ainda mais desfavorável e incerto. Como são, majoritariamente, baseados em aglomerações estima-se que os eventos cultuais sejam os últimos a retornar ao presencial devido ao cumprimento das medidas sanitárias e os cuidados com a saúde necessários para evitar a contaminação pelo novo coronavírus.

Assim, os novos hábitos de consumo devem perdurar e a criatividade deve permanecer atrelada às estratégias traçadas pelos profissionais das áreas. Além disso, é necessário cobrar ações das entidades governamentais, como defende Diego. “Muitos formatos estão sendo revistos, mas a sustentabilidade do artista, sobretudo do artista periférico, das expressões mais populares, está arriscada há bastante tempo. Precisamos de um olhar mais direcionado por parte dos governos, de política pública e bem-estar de verdade”.

Por Júlia Reis, Anna Clara Magalhães e Ana Clara Galdino (Oficina Multimídia em Jornalismo)

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