Isolamento Social afeta Meio Ambiente

Devido ao baixo número de pessoas nas ruas, Estado do Rio de Janeiro aponta melhoras na qualidade do ar, mares e no saneamento básico

O Estado do Rio de Janeiro sofre diariamente com a poluição dos ares, com os lixos espalhados pelas ruas esgotos e praias. Com o isolamento social estabelecido, por conta do Covid-19, diversos números com relação ao meio ambiente sofreram alterações positivas, mostrando que o ser humano é o principal fator para degradação ambiental.

Uma das primeiras mudanças bruscas não é tão perceptível ao olho nu: o ar. A respiração do carioca melhorou muito durante a quarentena, e isso tem uma explicação. O Instituto Saúde e Sustentabilidade divulgou em um estudo recente que a fumaça, emitida pelos meios de transportes terrestre, são especialmente prejudiciais à saúde, com destaque ao ônibus. Isso por que há muita queima de combustíveis fósseis, recurso não renovável usado para produção da gasolina e combustível.

A pesquisa da ISS aponta que esse produto emite muito dióxido de nitrogênio (NO2) que vai para a atmosfera e acaba poluindo o ar, prejudicando nossa saúde. O estudo também indica que para evitar tanta poluição seria necessário mudar o tipo de combustível ou reduzir drasticamente a quantidade de veículos. E o isolamento social comprova em números essa teoria.

A Agência Espacial Europeia (ESA) monitora os poluentes na atmosfera do Brasil inteiro por meio de satélites. Eles divulgaram imagens do Rio de Janeiro feitas antes e depois do prefeito Wilson Wiltzel decretar a quarentena e nessas imagens é possível observar como a propagação de NO2 no ar diminuiu. Isso se deve ao fato das pessoas não estarem saindo, logo, a quantidade de veículo diminuiu. A Rio Ônibus emitiu uma nota falando que reduziu a frota em 70% e fechou 27 estações do BRT por falta de demanda e no Metrô Rio houve uma redução de 83%.

Gráfico de propagação de NO2 em 2019 – Arquivo: ESA
Gráfico de propagação de NO2 em 2020 – Arquivo: ESA

A Secretaria Municipal do Meio Ambiente fez um comparativo afirmando que o estado do ar no Rio de Janeiro é tão poluído que na Europa seria considerado uma questão de emergência e acrescentou que, por conta do isolamento social, os cariocas estão respirando um ar com classificação “bom”, pois o índice de NO2 decresceu.

A melhora no Meio Ambiente também ocorre em outros âmbitos, como o lixo, um dos maiores problemas do estado do Rio. Para entender melhor essa situação, a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos (ABRELPE) revelou que o Brasileiro produz por dia 1,1 Kg de lixo. No estado há 16,3 milhões de habitantes, logo, em 24 horas os cariocas produzem aproximadamente 18 mil toneladas de resíduos.

Esses números são de um dia comum, pois quando há algum evento na cidade a quantia é ainda maior. A COMLURB registrou que na virada desse ano recolheu uma quantia de 762 mil toneladas de resíduos espalhados pelo Rio e no carnaval a média de lixo por dia foi de aproximadamente 700 mil toneladas. Os números são graves por si só, mas ficam ainda piores se considerar que o único aterro sanitário do estado, o aterro de Seropédica, tem capacidade de dez mil toneladas por dia.

Com uma demanda superior à capacidade, fica claro que uma quantidade considerável de sujeira fica espalhada nas ruas. Além disso, o Sindicato Nacional das Empresas de Limpeza Urbana mostrou que 25% da população do estado do Rio comete um crime ambiental, que é despejar resíduos em locais impróprios para descarte.

A contextualização sobre a quantidade de lixo serve para chocar as pessoas e fazê-las refletirem na quantidade sujeira que cada um produz. Principalmente se considerar os efeitos do isolamento social, a COMLURB divulgou que a média de lixo encontrado espalhado pela rua diminuiu 24%, e o lixo domiciliar teve uma redução de 12% em relação ao período pré-corona vírus

A COMLURB postou que a queda está ligada ao consumo mais consciente e ao fato das pessoas não estarem saindo como antes, logo, despejam menos lixo no chão. Fernanda Cubiaco, criadora do projeto “Bota pra Girar” comentou sobre a importância da educação ambiental na sociedade, para não aumentar novamente a quantidade de sujeira nas ruas pós quarentena.

“Precisamos ter mais consciência do despejo do lixo e de como reciclar mais, ainda mais vendo a diferença do ambiente sem nossa interferência. Então, o desafio pós isolamento social é informar, de forma simples, para que toda essa informação alcance toda a sociedade. Mudar o pensamento sobre como cuidar, como produzir e da importância de manter a nossa natureza viva, porque o meio ambiente tem valor e ele não está sendo enxergado. E se a gente voltar a exterminá-lo, nós vamos nos exterminar”.

Essa preocupação com o lixo não é só nas ruas. Um exemplo recente para enfatizar os problemas enfrentados pelos cariocas diante da poluição nas praias foi o das águas impróprias para banho, em janeiro de 2020. Na época, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) divulgou que as chuvas foram tão forte que as águas do esgoto, repleto de lixo, desaguaram nos canais de drenagem que dão diretamente no mar, ou seja, além dos resíduos na areia, os mares estavam ainda mais poluídos.

Em 2018 a Agência Nacional de Resíduos estimou que, por conta da má gestão dos resíduos, o Brasil despeja 25 milhões de toneladas nos mares. No Rio de janeiro, as praias sofrem muito com essa questão. De acordo com a COMLURB, a média de lixo encontrado por fim de semana é de 350 mil toneladas. Mas a situação também apontou uma melhora com a quarentena; os mares estão próprios para banho novamente e o número de lixo recolhido por fim de semana diminuiu expressivamente para 15 mil toneladas por fim de semana.

Sujeira toma conta da areia e do mar da praia de Botafogo (Foto: arquivo: Tânia Rêgo)

Fernanda Cubiaco também é uma das fundadoras da Associação de Combate Marinho e tem um projeto de catadores de lixo nas praias do estado do Rio, ela comenta sobre ausência da população nas praias – “O ser humano é um problema para o meio ambiente. Desde que ele parou de frequentar a praia, os animais voltaram a aparecer próximo as costas, o lixo parou de ser descartado na areia e as águas estão mais limpas do que nunca”. 

Por Nicolas Sophia, Shannon Figueiredo e Lucas Siciliano (Oficina Multimídia em Jornalismo)

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