Saúde na quarentena: a relação do estresse com o ganho de peso

Atire a primeira pedra quem nunca resolveu se encher de inúmeros doces para tentar aliviar os momentos de tensão e estresse. Para muitos brasileiros, esse costume já é algo rotineiro, especialmente durante o atual período de pandemia e isolamento social vigente em quase todo território nacional. O que nem todos sabem é que essa prática é um dos principais responsáveis pelo ganho de peso na população do planeta.

A psicóloga Flávia Barcellos explica que o estresse desencadeia um processo de compensação, quando o corpo, de alguma maneira, procura algo que lhe dê prazer para compensar algum sofrimento ou cansaço. Nestes casos, a saída mais comum que o cérebro encontra é aumentar o consumo de comidas ricas em gorduras e açucares, porque estes alimentos, indiretamente, provocam o aumento da produção da serotonina, conhecida como o hormônio do bem-estar.

Entretanto, apesar de aliviar momentaneamente as sensações dolorosas e induzir o indivíduo ao sono, a psicóloga reitera que essa prática pode ser danosa para a saúde física e mental ao longo prazo. Para ela, o consumo diário destes alimentos como um remédio e o consequente aumento do peso podem iniciar um ciclo vicioso que só pode ser rompido com conhecimentos, informação, ajuda especializada e força de vontade.

Mauro Alberto Herbert, endocrinologista e chefe do Serviço de Obesidade do Hospital das Clínicas de São Paulo, relata que as alterações hormonais provocadas pelo estresse também agem sobre outro mecanismo do corpo: o sistema endocanabinoide. “Ele desempenha um papel importante no controle do gasto e do acúmulo energético e no metabolismo de gorduras e açúcares. Uma vez ligado, este mecanismo determina que o corpo guarde mais reservas. E é exatamente isso o que acontece na presença do estresse”, explica.

Ana Clara Rossetti, chefe do Grupo de Tireoide do Hospital de São Paulo, certifica que existe uma razão científica para o estresse crônico alterar as respostas do organismo, modificar o metabolismo e levar a obesidade. “Ao longo do dia, o cérebro controla os níveis de colesterol no sangue de acordo com as necessidades do organismo e das atividades que temos que realizar. Mas quando o estresse atua, não é isto que acontece, pois, além do estresse, também a insônia e a depressão mantêm o cortisol alto o dia todo, induzindo o corpo ao alerta constante”.

Em outras palavras, quanto mais estresse, maior será a produção de cortisol. E isto, para os mecanismos de controle e ganho de peso, é um desastre. De acordo com Ana Clara, o cortisol em excesso representa um sinal de perigo pois o corpo traduz como uma ordem para poupar energia diante de uma iminente situação de emergência. “A energia obtida é acumulada em gordura, mas isto nem longe é o pior que pode acontecer. O cortisol favorece o acúmulo de gordura na região abdominal, o que aumenta também o risco de doenças cardíacas e diabetes ”.

Por conta das adaptações causadas pelo período de quarentena, muitos especialistas começam a defender mudanças nos relacionamentos pessoais e profissionais, visando a diminuição do estresse, também com o objetivo de conter o avanço da obesidade e o estado mental dos trabalhadores. Uma das principais propostas formuladas é que programas de bem-estar no trabalho examinem a estrutura organizacional e forneçam meios práticos para minimizar o estresse.

Outra sugestão feita às empresas é dar condições ao trabalhador para vencer o sedentarismo, seja cedendo uma área equipada para as pessoas se exercitarem antes, durante ou depois do expediente, ou oferecendo equipes de apoio para funcionários acima do peso.

Rhuan Bastos Rodrigues (Oficina Multimídia em Jornalismo)

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