Salas de cinema voltaram a funcionar no início de outubro (Foto: catracalivre.com.br)

As telonas dos cinemas cariocas voltaram. Após diversas reuniões com intuito de chegar a um denominador comum, o martelo foi batido no encontro realizado em 21 de setembro, entre representantes do Sindicato dos Exibidores do Município do Rio e da Vigilância Sanitária do Estado.

Antes da decisiva reunião, a Prefeitura já havia dado aval para a retomada das atividades cinematográficas, todavia, mantendo a proibição das chamadas bombonières. Devido a isso, os operadores optaram por manter os cinemas fechados em sua totalidade, acreditando que a não venda de alimentos e bebidas causaria forte prejuízo financeiro aos administradores, inclusive, veiculando na imprensa uma carta em forma de protesto, criticando duramente a determinação do Órgão.

Porém, após uma rodada de discussões e uma série de medidas, os cinemas reabriram no primeiro dia útil do mês de outubro (01), após paralisação de seis meses, por conta da pandemia da Covid-19.

Entretanto, nem a reabertura após longo período de desocupação, parece ter convencido os fãs, já que a primeira semana foi de salas esvaziadas. Apesar do funcionamento com apenas 50% da capacidade, teve gente que não se sentiu confortável e seguro para comparecer às sessões, o que foi notado e muito comentado nas redes sociais.

Muitos espectadores alegaram que mesmo com o severo cumprimento do protocolo de segurança exigido para o gradual retorno, como uso obrigatório das máscaras de proteção e o distanciamento de no mínimo 1,5 metros entre as pessoas, não iriam, tão cedo, retornar ao cinema.

Diogo Vieira, de 33 anos, é um deles. O estudante de Psicologia acredita que a reabertura de um local fechado no meio da pandemia é equivocada. Ele atesta que mesmo com uso de máscara e protocolos de segurança, não existe garantia alguma de que não será contaminado pelo vírus, inclusive, acreditando que o funcionamento do ar condicionado pode propagar com mais celeridade a doença entre os presentes.

“Sendo bem honesto, não me sinto seguro, meus pais são idosos e preciso ter responsabilidade social. Sinto bastante falta, pois o cinema faz parte da minha rotina, mas prefiro esperar a chegada de uma vacina eficaz, ou dar um lapso maior para que a curva esteja mais controlada.”, afirmou Diogo.

Mas tem gente que ficou feliz com a reabertura. O fisioterapeuta Francisco Toledo, de 42 anos, por exemplo, conta que levou a esposa ao cinema localizado no Shopping Tijuca, Zona Norte do Rio, e não se sentiu inseguro, garantindo que tais medidas protetivas estão sendo realizadas com muita organização e segurança, e se disse favorável à reabertura das salas:

“Já estava mais do que na hora da retomada, minha saúde mental estava ficando prejudicada sem um pouco de cultura fora do ambiente domiciliar. Já não era em tempo essa liberação e os produtores de audiovisual também precisam sobreviver de algum modo”, relatou Francisco.

Francisco se sente seguro e é favorável à reabertura (Foto: Arquivo Pessoal)

Devido ao ano atípico, os maiores estúdios aumentaram o prazo para a estreia de seus longas, fazendo com que os cinemas nacionais se conectassem na criação do “Festival de volta para o cinema”. A ideia do festival é gerar um movimento para a retomada da freqüência dos amantes de cinema às sessões, ofertando a eles obras atuais, contemporâneas e marcantes.

Certo é que, mesmo diante do difícil e complexo cenário atual, as telonas da cidade maravilhosa retomaram suas atividades mesmo com todo receio e insegurança criados por conta do contágio pelo novo coronavírus.

Porém, para quem pretende se arriscar nesse novo normal, a finalidade é imergir nesse universo fantástico das telinhas, e torcer para que a Covid-19 não dê as caras por lá tão cedo.

Por Bruno Sadock, Pedro Lessa e Victor Alves (Jornal Online)