Os índices de criminalidade caíram no estado do Rio durante as medidas de isolamento para conter a pandemia do novo coronavírus, segundo o relatório do Ministério Público que analisa os indicadores da segurança pública. Crimes como homicídio culposo (quando não há intenção de matar), lesão corporal dolosa e estupro tiveram uma queda significativas de ocorrências.

O soldado Souza, membro do 6º Batalhão da Polícia Militar (BPM), comenta que a segurança e o trabalho dos órgãos de proteção estão em pleno vapor durante o momento de proliferação da Covid-19. Ele ressalta, que apesar de o Supremo Tribunal Federal (STF) ter restringido às operações policiais em algumas localidades, a corporação segue trabalhando.

“A polícia não pára, não pode parar. O trabalho segue com os cuidados básicos requeridos no combate à pandemia. Uso de máscara, álcool em gel e higienização de viatura são alguns cuidados que procuramos ter no dia a dia, embora ocorram situações em que mesmo com todo esse cuidado acabamos expostos”, manifesta o soldado.

Embora os órgãos oficiais de segurança apontem uma queda nos índices de violência durante o período de pandemia, há quem ainda tenha passado por momentos de pura tensão motivados por uma situação criminosa. A vendedora Jaqueline Silva, de 35 anos, relatou ter vivido uma situação desesperadora com sua família, durante um assalto na Avenida Brasil.

“Estava com meu marido e minha filha no carro, íamos visitar minha mãe que mora na região dos Lagos. Um bandido nos abordou e começou a gritar para que a gente saísse do carro e entregasse todos os pertences. Deixamos tudo para trás e corremos. Meu marido estava com minha filha no colo. Ele chegou a cair no chão com a criança. Só de falar já passa um flashback na minha cabeça”, conta Jaqueline.

Na opinião de Jaqueline, a pandemia não fez com que a criminalidade diminuísse nas cidades. Ela alega que o clima de insegurança ainda prejudica o ir e vir do cidadão.

“Estamos tão acostumados com a insegurança nas cidades grandes, que situação como a que passei não me surpreende mais. A pandemia não tem nada a ver, a violência continua a mesma. Nem a quarentena fez com que as pessoas de mal coração tivessem compaixão com quem já está enfadado neste momento que é tão difícil para todos”, lamenta a vendedora.

Violência e homofobia
Para o estudante de Engenharia Lucas Benevito, 22 anos, morador de Ipanema, Zona Sul do Rio, a violência continua atormentando a todos durante o isolamento social imposto pela pandemia. Ele revela ter sido perseguido por um homem enquanto voltava do supermercado junto de seu namorado.

“Estávamos de mãos dadas. Em certo momento, um homem chegou perto da gente e começou a gritar que nós éramos “viadinhos” e tínhamos que morrer. Não retruquei por medo de ele estar armado. Mas perto de casa, percebi que ele começou a nos seguir. Puxei meu namorado para dentro de uma loja e ficamos lá por quase uma hora. Foi muito tenso”, relata Lucas.

O estudante sugere que as pessoas mantenham a mesma atenção básica em relação a assaltos, roubos e outros tipos de violência quando saírem de casa. Para Lucas, os bandidos não estão nenhum pouco preocupados com a fragilidade emocional de quem está enfrentando este momento de cuidados com a saúde.

“Nunca tinha enfrentando uma situação de violência e homofobia. Foi algo muito novo e traumático. Estamos isolados socialmente, mas se for necessário sair, não devemos diminuir nossa atenção. A criminalidade ainda é algo muito forte aqui no Brasil. Temos que ficar atentos sempre”, alerta.

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Por Eduarda Spranger, Helio Uchôa e Victor Alves (Jornal Online)